Sobre a Obra

Por aqui não tem prometemos o acesso a receita mágica e fantástica (contém ironia) de simples e indolor transformação de um estilo de vida ou de um saber único e erudito, esta obra promete construir ponte em escalas de borramentos e partilhar a beleza da interface contemporânea, que aqui entendemos como o que é a nossa realidade no hoje. Onde valorizamos a ancestralidade, ou seja, o que veio antes de nós, com seu campo simbólico e repertório político-cultural-social, mas também somos a geração de jovens adultos que sobreviveram a pandemia de covid-19, então há em nós a intensidade, o drama e  há urgência. E aqui a urgência não se trata de uma emergência de saúde, nós aqui imersos em um caldeirão de perspectivas, cenários e diferentes realidades que precarizam acessos, nos propomos a traçar diálogos entre saúde mental com a psicanálise, sociedade, comportamento, cultura e sistemas penais. E para isso, vamos partilhar dos escritos de Deleuze e Guattari, Foucault, Sigmund Freud, Lacan, Zimerman, Louis Dumont, Geraldo Filme, Atahualpa Yupanqui, Mario Barbará e Cesar Passarinho.

Somos a geração nascida nos anos 80, nosso cenário são de mães/pais que não falam sobre seus sentimentos, experiências e trajetórias, com um pouco mais de atenção e profundidade (o silencio é ainda mais constante para os episódios dolorosos),  seja porque são filhos de um tempo onde parece que funcionava o método “nega, nega, nega que desaparece”, seja porque hoje também contamos com a comunidade cientifica, colocando no debate, dado e relatos que comprovam os  danos em larga escala e profundidade que tal opção causou/causa em gerações de uma família, o que obviamente reverbera amplamente na sociedade.           E assim, neste território habitado por diferentes pessoas que sequer se permitem nomear suas emoções e pessoas que acreditam que há uma janela de oportunidades para estabelecer diálogos, que ressignificam e trazem acolhimento para uma qualidade de vida, onde o que cada um sente, acha, diz e dá conta, realmente importa.

Então nossa geração em sua maioria, tem a escolha de fazer diferente, os pais dos filhos do novo milênio validam a criação de filhos, como seres desejantes e que tem potência de existência em seu processo tanto no âmbito familiar como social. E este crescente e significativo rearranjo transforma a invisibilidade e silenciamento não apenas de crianças, mas de uma comunidade inteira, e aqui cabe todo mundo e os que ainda virão a compor siglas (LGBTQIAP+) e levantes em prol do que é direito, desejo e relevante.

E neste abrir de comportas, “nascem” uma nova esfera de especialidade, as quais o mercado a tudo capitalizou, há uma cartilha para cada escolha, há milhares de escolas e métodos inovadores, há alimentos especiais para cada tipo de alergia e alegria. Há também uma nova estética do conhecimento em literatura infantil. Se antes os desenhos retratavam o mundo de forma binária (bom/mau), propagandas incentivavam a pressão aos pais em prol do consumo de brinquedos e doces, e claro do incentivo a rivalidade entre as crianças.  Muitos dirão saudosos: ah este tempo era melhor, mais fácil, o certo era simples e proferido exclusivamente pelos poucos detentores de poder; mas somos resquício de tudo isso, e o residual apesar de não ter vindo com saldo positivo voluptuoso, hoje podemos dizer que é por uma infinidade de pontuações, perspectivas e humanização seletiva/arbitraria/racista/sexista/homofóbica (…) que vamos pontuar ao longo de 24 textos que congregam esta publicação.

Mês e ano de publicação: janeiro de 2026

Organizadores: Janaina Collar Beccon e João Beccon de Almeida Neto
ISBN: 978-65-5462-223-3
DOI: 10.18310/9786554622233

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