Nestes textos, tecidos por diferentes espaços, tempos e mãos, celebra-se a trajetória de 15 anos do Grupo de Pesquisa Trabalho e o Cuidado em Saúde, da Universidade Estadual de Londrina. Longe de limitar-se a um resgate histórico que demarque um percurso e declare “chegamos até aqui”, a obra afirma-se como expressão de um movimento contínuo. Não há ponto de chegada: há a reinvenção constante das práticas de pesquisa e de assistência no Sistema Único de Saúde (SUS), onde o instituído é permanentemente desafiado.
Ao longo dos capítulos, o leitor é convidado a mergulhar na micropolítica do trabalho vivo em ato, explorando como a produção do cuidado acontece nas tensões cotidianas e nas disputas de projetos que atravessam a saúde pública. Nestas páginas, encontram-se escritos de teor acadêmico que buscam inventar, de modo insistente, novos modos de expressão da produção de conhecimento, afastando-se da neutralidade científica tradicional e recusando a separação entre sujeito e objeto, pois os autores se assumem como pesquisadores in-mundo.
Diante dos desafios contemporâneos, muitas vezes marcados por uma aposta na necropolítica, esta coletânea lança flechas intensivas contra tais “pregadores da morte”, como diria o Zaratustra, de Nietzsche. Fundamentada na premissa inegociável de que “toda vida vale a pena”, a obra se apresenta como um dispositivo ético e político que convoca a desaprender o instituído e a reconhecer a força instituinte das existências. Assim, aposta na construção de vínculos e redes vivas que sustentem, no cotidiano, a defesa radical da vida em sua multiplicidade.
Mês e ano de publicação: setembro de 2026







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